29 de outubro de 2015

Vingar num Mundo de Homens

Debati muitas vezes se deveria ou não escrever este post. E debati outras tantas se o deveria ou não publicar. Primeiro porque se trata da minha experiência pessoal que pode não ser espelho das restantes; o que não deixa de ser falacioso porque este blog é sempre sobre a minha experiência; e segundo porque o tema nao é beleza, afastando-se do tema primário que aqui vos trás.

Eu sou a única mulher a trabalhar num departamento de 6 pessoas. Os meus colegas tem uma média de 50 anos, ou seja, são da idade dos meus pais. Todos eles trabalham no ramo à mais de 20 anos, eu trabalho à menos de 3. Sou comercial num ramo de negócio em que esta função é predominantemente masculina.  

Desde cedo me apercebi que, naquilo que faço, as mulheres são olhadas com um certo desdém. Usalmente fazem papel de secretárias, administrativas ou "operárias", mas raramente comerciais.

Eu queria ser diferente. Entrei como estagiária, trabalhei no duro, aprendi muito, provei o meu valor e passados 9 meses estava a ensinar os novos estagiarios nas "artes do negócio". Nunca assumi uma postura "diminuida" como seria de esperar de uma "miuda". Nunca deixei de me maquilhar, de me arranjar e, apesar de não ter contacto com clientes presencialmente, de me vestir como uma comercial. No fundo encarnei o meu papel.

Ao fim de 2 anos fui convidada a trabalhar numa multinacional pelo meu director. Aceitei sem olhar para trás. Fiquei conhecida pelas minhas sabrinas de porpurinas e pelo batom vermelho. Por não me calar e por exigir as coisas à minha maneira. E principalmente por corresponder a tudo o que me era pedido, fosse ou não das minhas funções.

O meu maior trunfo sempre foi ser mulher e, mais grave, uma rapariga de 25 anos. Alguém que surpreendia porque era o oposto daquilo que era esperado de si, porque não baixa os braços e está disposta a ir à luta. Acabei por ser muitíssimo acarinhada a "princesa", adoro os meus "velhotes", que são colegas, mentores e amigos.

Pode ser intimidante, é muitas vezes, mas sei que o meu valor é reconhecido, nunca fui a vítima, nunca assumi esse papel. Ser uma mulher num mundo de homens é uma vantagem. Todos eles sabem quem tu és, porque és a única. Marcas pela diferença e, porque para teres chegado onde chegaste, só podes ser duplamente mais capaz  e mais esforçada do que qualquer outra pessoa.





3 comentários:

  1. Li o teu texto e vi nele o reflexo da minha mãe. Também comercial, e durante 20 e tal anos praticamente só no meio de homens. Segundo ela não é fácil ser igualmente levada a sério. Tens que ser mais segura, mais assertiva, e ter jogo de cintura para lidar com os pequenos sinais de discriminação. E deve ser espetacular passar por cima disso tudo, ser bem sucedida, e muitas vezes conseguir vender ainda mais :p
    Boa sorte!

    http://apelequehabitoblog.blogspot.pt/

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  2. Olá Marta
    E no meio disso tudo ainda ser mãe é mais uma provação! Não é facil, mas de facto dá um gozo imenso =)

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  3. Gostei muito desse relato :) Também trabalho num mundo maioritariamente masculino (IT) e gostava mesmo de marcar essa diferença.. :)

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